Breve Histórico – Casas das Minas de Thoya Jarina

BREVE HISTÓRICO – Casa das Minas de Thoya Jarina

Na biografia individual de Thoy Vodunnon Francelino de Shapanan, encontramos uma rica e variada trajetória cultural, de cunho fascinante e impressionante. De migrante marajoara – Belém do Pará – até a responsabilidade de grande sacerdote do culto MINA-JEJE-NAGO; forjou uma história sólida à frente de organizações religiosas, de defesa dos direitos humanos e do seguimento afro-brasileiro. Além de grande griô, foi um realizador cultural de extrema competência. Neste trajeto podemos elencar: foi representante de várias entidades que congregam o credo da Umbanda e Candomblé (Diadema, São Paulo e outros estados), consultor religioso e  personalidade inconteste de várias frentes de jornada intelectual, atuando como palestrante, conferencista, escritor, idealizador e organizador de vários congressos, seminários e cursos religiosos de tradição e cosmovisão espiritual. Foi o idealizador e realizador do Congresso de Umbanda e Cambomblé em Diadema – 6 edições, de ressonâncias local, regional, sendo a sua primeira edição realizada em 1999. Organizador em Diadema de várias festas de caráter religioso, tendo periodicidade anuais e bienais: Festa do Caboclo, Festa de Ogum e Festival de Corimbas – canções de tradição oral, entoadas nos terreiros e Mediador de Diálogos Inter-religiosos e Cultura de Paz em São Paulo e região metropolitana.

Em 22 de abril de 1977 fundou-se na cidade de São Paulo a Casa das Minas de Thoya Jarina por Toy Vodunnon Francelino de Shapanan, introdutor e precursor dos cultos Mina Jêje/Nagô e Encantaria Gentil em todo sul/sudeste/centro-oeste do Brasil. E na cidade de Diadema, a sede definitiva foi transferida em 1992, por razões de maior espaço, e devido grande parte dos filhos de santo residir na localidade. Hoje em Diadema, existem 2 (duas) casas do culto Mina Jêje-Nagô afiliadas da “casa mãe”.

TAMBOR DE MINA

É a denominação pela qual é conhecida e cultuada a religião trazida pelos negros africanos (jeje, Nagô e Ioruba) e por seus descendentes para o Brasil (Maranhão, Bahia e Diadema). O toque, os cantos e danças indicam um ritual de chamada e louvação às entidades e famílias africanas (voduns e orixás) e famílias de Encantados, isto é caboclos de várias procedências. Os rituais são realizados em casas de culto chamadas de terreiros ou casas de mina, onde os iniciados, filhos-de-santo (vodunsis) recebem entidades (voduns e encantados) em transe mediúnico em rituais acompanhados de cantos, danças e por instrumentos musicais: tambores (abatás), por cabaças (abês) e de ferro (gã ou agogô).

A existência do Tambor de Mina e a da Casa das Minas de Thoya Jarina, Diadema, São Paulo – constituiu-se num marco histórico da cultura brasileira e local. Todo o conhecimento, as práticas religiosas adotadas e sua transmissão para os iniciados e praticantes da religião dos voduns e encantaria – pacientemente elaborado pelo grande sacertode Toy Vodunnon Francelino de Shapanam – há de continuar a dar frutos, como preferem dizer os herdeiros do axé da Mina.

As atividades culturais estão relacionadas ao artesanato: confecção de cabaça, (xequerês) e tambores, (abatas) – instrumentos de percussão que acompanham os rituais, renda richilieu e bonecas caracterizadas com roupas de orixás. A dança das vodunsis – danças características de quem é iniciado na religião dos voduns e encantados; os cantos sagrados na língua ewe-fon, além da rica sonoridade dos ritmos do tambor de mina, percussão característica do Maranhão. Cursos e palestras sobre a origem, evolução e constituição da história do culto Tambor de Mina.

A Casa das Minas de Thoya Jarina cumpriu um papel fundamental na criação, articulação e promoção das seis edições do Congresso de Umbanda e Candomblé de Diadema – espaço e rede de trocas de multi-saberes das práticas do povo de santo em Diadema – através do seu sacerdote maior – Pai Francelino de Shapanan. É necessário destacar que é uma prática cultural rica, singular no território da cidade de Diadema e tem relações de ancestralidade com a cultura do Maranhão, Pará e Benin.

Todo Ilê Axé esta inserida dentro de uma lógica viva das comunidades onde se encontram (álias, sem comunidade, sem ilês axés) – aspectos da vida espiritual, histórico-social, econômico, simbólica e de cura se entrelaçam e convivem separadamente. A Casa das Minas de Thoya Jarina realiza um calendário extenso de festas públicas, abertas inteiramente ao público, onde é sempre servida alimentação variada a quem participa; existe uma rede de clientes consulentes, dias de tambor de cura (aconselhamento, passes e curas realizados pelos caboclos da mina), há participação em rede do reconhecimento do povo de santo em calendário festivo unificado com outras nações da Umbanda e Candomblé, além da “casa” e do culto ser objeto de pesquisas acadêmicas.

HERANÇAS

Há dois momentos importantes na história da casa: a grande trajetória do sacerto Toy Vodunnon Francelino de Shapanam, sua insígnia de fecundo organizador da religião, sua feitura de santo até a complexa evolução espiritual dentro da tradição Jêje-Nagô e Encantaria Gentil, que compreende as datas de 1964 a 1977, até a fundação da Casa das Minas de Thoya Jarina, títulos, trajetória intelectual, criador e organizador de instituições, liderança espiritual no mundo da Umbanda e Candomblé e falecimento, que cobre o período de 1977 a 2007.

Hoje, há a sucessão do cargo sacerdotal e liderança da Casa das Minas de Thoya Jarina por Nochê Sandra de Boço Xadantã (2008), e Toy Hunji Márcio de Boço Jara. Nochê Sandra é membra da diretoria da Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasieliros – FUCABRAD desde a tua fundação em 08/07/1986, sendo investida na função de Conselheira Religiosa e atuando em vários eventos, tais como Congressos, Festas de Ogum e Festas de Caboclos. Procurou realizar parcerias e atuação no Ponto de Cultura do MAP – Museu de Arte Popular de Diadema como cedente de material etnográfico para exposições e foi consultora de assuntos de sua tradição religiosa. Atuou como consultora na elaboração de publicação de entrevista inédita de Toy Francelino de Shapanan para 5º edição da revista “Antenas e Raízes” do Ponto de Cultura Laboratório de Poéticas, com apresentação da entrevista pelo professor doutor Reginaldo Prandi – USP.

Hoje, nas suas práticas culturais para além do sagrado, há a preocupação de elaborar e reelaborar práticas da rica cultura do estado do Maranhão – ciclos das brincadeiras do boi, artesanatos e as práticas do tambor de crioula – que já está se iniciando nos fundos do barracão, após os cultos. Talvez seja uma realidade cultural mais alargada, que venha agregar a outras práticas culturais existentes entre a cultura Jêje-Nagô Mina Encantaria e a comunidade local.

Em 2009, ganha o prêmio Ponto de Cultura – Ministério da Cultura, Programa CULTURA VIVA, Edital lançado por São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura.

PUBLICAÇÕES

A organização publicou material, tais como livros, revistas, CDs, DVDs, cartilhas, etc? Quais?

Foi lançado no antigo mercado fonográfico 2 (dois) discos – LP’s, inteiramente dedicados ao Tambor de Mina, nos quais as obras (cantos, letras e música) são executadas pelos alabês, coral e interpretação de Toy Vodunnon Francelino da Casa das Minas de Thoya de Jarina.

  • Tambor de Mina, volume 1, 1989
  • Tambor de Mina, volume 2, 1990

Há uma profusão de escritos de autoria de Toy Francelino publicados no Informativo “Tambor”, canal de publicação do INTECAB/SP – Instituto Nacional de Tradição e Cultura Afro Brasileira.

Alguma outra instituição publicou material sobre a sua organização? Que tipo de publicação?

O culto Jêje-Nagô e Encantaria Gentil através da Casa das Minas de Thoya Jarina foi focado nas seguintes publicações:

a) Publicações acadêmicas

1) Vagner Gonçalves da Silva – Orixás da Metrópole – editora Vozes;

2) Carlos Eugênio Marcondes de Moura (Org.) –  “SOMÀVO – O amanhã nunca termina, novos escritos sobre as religiões dos Voduns e Orixás”, edições Empório de Produção.

Artigo: “Nas Pegadas dos Voduns” – Um terreiro de Tambor de Mina em São Paulo. Reginaldo Prandi;

3) Reginaldo Prandi (Org.) – “Encantaria Brasileira – O Livro dos Mestres, Caboclos e Encantados”, editora Pallas.

Artigo: “Encantaria da Mina em São Paulo”, Reginaldo Prandi;

4) Raymundo Heraldo Maués & Gisela Macambira Villacorta – Pajelanças e Religiões Africanas na Amazônia”, Universidade Federal do Para, UFPA – editora universitária.

O livro é dedicado a duas personalidades: Francelino de Shapanan e Astianax Gomes de Barreiro.

- Artigo: “O Tambor de Mina de encantaria em São Paulo e suas relações com a Umbanda e o Candomblé”, de Francelino de Shapanan;

b) Ponto de Cultura Laboratório de PoéticasDiadema

1) Publicação de entrevista inédita de Toy Francelino de Shapanan para a revistaAntenas e Raízes”, com apresentação da entrevista pelo professor doutor Reginaldo Prandi – USP.

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